quinta-feira, 25 de abril de 2013

Medalha Vermeil - Condecoração a FK em Paris.


          O artista plástico Frans Krajcberg receberá, dia 9 de dezembro de 2012, em Paris, a Medalha Vermeil, mais alta condecoração da cidade, das mãos do prefeito Bertrand Delanoë. Eis o convite da honraria:



FK receberá uma condecoração francesa em setembro de 2012.


         No final de setembro de 2012, Frans Krajcberg será condecorado em Paris, onde receberá uma homenagem com a mais alta honraria da cidade, a chamada Medalha Vermeille. Conhecido também por sua eterna luta pela preservação da natureza, o Krajcberg ainda é o único artista vivo, que não é francês, que possui um espaço dedicado a ele na Cidade Luz, com obras de fases representativas em sua carreira, mantidas pela prefeitura.



Novo espaço de artes na Paraíba recebe exposição de FK


           No final de junho de 2012, foi inaugurado um novo espaço para as artes em João Pessoa, Paraíba, Brasil. Surgiu mais um prédio da Estação Ciências Cabo Branco, um lugar extraordinário na Paraíba.A inauguração não poderia ter sido mais feliz: Uma exposição das obras de FRANS KRAJCBERG.



 
   
   

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Seminário O grito, com Frans Krajcberg


Dedicado há décadas à causa ambiental, o artista/ativista Frans Krajcberg chega aos 90 anos defendendo a preservação da natureza. Ele acredita que estamos caminhando para a destruição das florestas que ainda existem, e que as pessoas que vivem hoje no planeta precisam se conscientizar de sua responsabilidade para com as condições da vida em um futuro próximo. “Estou convencido de que a humanidade pode criar um futuro mais próspero, garantindo sua própria sobrevivência. Para isso, precisamos reexaminar as grandes questões de meio ambiente e formular soluções realistas”, afirma Krajcberg.
O seminário “Grito” idealizado por Krajcberg chega a sua terceira edição com plantio de árvores nativas. Personalidades que participaram da primeira edição como a atriz Christiane Torloni e o ator Victor Fasano vão se unir mais uma vez a Krajcberg e a comunidade local de Nova Viçosa na Bahia para realizar o plantio das primeiras mudas durante o evento. A primeira edição do seminário foi realizada em 2009 e intitulada “Grito: Seminário Brasil Salva a Amazônia”, reunindo cerca de 500 pessoas.
        Além dos artistas, a jornalista Renata Rocha que dirigiu o documentário “O Grito Krajcberg” também estará presente para participar do plantio e exibir o documentário sobre vida e obra do escultor para a comunidade local. O filme foi narrado pela cantora Maria Bethânia e contou com depoimentos de personalidades como, o Governador do Estado da Bahia Jaques Wagner, a Primeira Dama do Estado da Bahia, Fátima Mendonça, a atriz Christiane Torloni, o ator Victor Fasano, os artistas plásticos Emanoel Araujo, Justino Marinho, Anna Letycia e Carlos Vergara, o filósofo José Antonio Saja e Lucenilde Araújo, coordenadora do seminário e moradora de Nova Viçosa.
Renata Rocha afirma que “Este ano, durante a programação do seminário, os convidados vão participar do plantio e dos debates. Cada árvore será batizada com o nome do cidadão que plantar a muda”.
 
Data: 04 e 05 de novembro de 2011

Local: Centro de Treinamento de Nova Viçosa, Bahia, Brasil. 



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Video with Krajcberg's works. Vidéo avec des œuvres de Krajcberg. Vídeo com as obras de Frans Krajcberg


Video with Krajcberg's works. 
Vidéo avec des œuvres de Krajcberg.


http://www.youtube.com/watch?v=EMQqNKYXuvU

Vidéo en français au sujet de la Krajcberg Frans artiste avec sous-titres portugais






Frans Krajcberg - Portrait d'une révolte

Video: Frans Kracberg: Nosso orgulho é você!



Frans Kracberg: Nosso orgulho é você!
                          Meu orgulho é você!

Video about the artist Frans Krajcberg with English subtitles



Vale a pena assistir!
Watch it!
Regarder! 

Exposição FK no MAM SP em outubro de 2008 - Veja imagens das obras expostas

          Para quem não foi à exposição NATURA, de Frans Kracberg que ficou em cartaz em outubro de 2008 no OCA, parque do Ibirapuera em São Paulo, vale a pena ver este vídeo:


http://www.youtube.com/watch?v=PywHLMktxAk


Veja também algumas fotos que publiquei no Flickr e neste blog. Um abraço!



domingo, 30 de outubro de 2011

Documentário O Grito Krajcberg, da jornalista Renata Rocha






         Em comemoração aos 90 anos do artista Frans Kracberg, foi lançado o documentário O Grito Krajcberg. Veja o trailer em: 


http://www.youtube.com/watch?v=YMrm6147kUY&feature=colike


Direção e Idealização: Renata Rocha
Direção de Fotografia: Kleyton Cintra

Duração: 70 minutos
Narração: Maria Bethania





sábado, 1 de outubro de 2011

Exposição de FK em Niterói, RJ até o dia 23 de outubro

Local: Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) Exposição: 04 de setembro a 23 de outubro Funcionamento: De terça-feira a domingo, das 10h às 18h. 


                     Frans Krajcberg foi convidado a abrir uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Niterói por um motivo especial: o MAC está comemorando 15 anos de existência. A mostra reúne 28 obras, que se dividem em sete esculturas de chão, trabalhos que são marcas notórias do artista e remetem à sombra, além de 15 fotografias, fotos da natureza espalhadas por diversos períodos da vida do artista. A escolha das obras foi realizada pelo respeitado artista plástico e ambientalista que, este ano completou 90 anos. Frans Krajcberg, além de artista plástico mundialmente renomado, com obras nos mais importantes museus, é excelente fotógrafo. 
                     Em suas viagens à Amazônia, ao interior de Minas Gerais, ao Pantanal, assistiu cenas chocantes de destruição ambiental. Esses registros feriram e ferem de tal maneira sua sensibilidade, que estão sempre presentes em suas obras, principalmente nas esculturas queimadas. A importância de sua obra no contexto da ecologia mundial é indiscutível. A viagem que fez ao Alto Amazonas com o crítico e filósofo Pierre Restany, quando redigiram e lançaram o “Manifesto Rio Negro”, foi um marco fundamental em seu trabalho: toda sua atenção se voltou para a preservação da natureza. Outro aspecto deste protesto são as fotos - registro vivo da tragédia - cujo impacto é extraordinário. Assim, grande defensor das causas ecológicas, acumulou, ao longo de décadas, um importante acervo de fotografias, reunindo não só imagens da riqueza da flora brasileira, como as agressões por ela sofrida. 


Museu de Arte Contemporânea – Mirante da Boa Viagem, s/ nº – Boa Viagem, Niterói, Rj Telefone.: (21) 2620-2400 / 2620-2481 Website.: www.macniteroi.com.br








Como foi a exposição de 90 anos do artista em Salvador, Bahia.

Visite o site:


http://www.palacetedasartes.ba.gov.br/exposicoes/krajcberg-comemora-90-anos-com-exposicao-em-salvador.html 


Fotos e muito mais!



quinta-feira, 14 de julho de 2011

EXPOSIÇÃO FK NO PALACETE DAS ARTES EM SALVADOR

Até o dia 24 de julho!

Local: Palacete das Artes Rodin (Mansão Martins Catharino)- Salvador - Bahia - Brasil

R. da Graça, 284, Graça

Tel. 3117-6986/6910/6982.

O Palacete funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, incluindo feriados. A entrada para todas as exposições e para passear no local é franca.

EXPOSIÇÃO FK NO MUSEU AFRO BRASIL EM SÃO PAULO

Em homenagem ao Ano Internacional das Florestas, o Museu Afro Brasil apresenta obras de Frans Krajcberg. O A exposição “KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas” leva ao público fotos, esculturas e um importante protesto contra a devastação.

“KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas”
De 08 de Julho a 06 de Novembro de 2011

Museu Afro Brasil – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque do Ibirapuera – Portão 10
Tel: (11) 3320-8900




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Indignação! Sítio Natura de Frans Krajcberg é furtado mais uma vez!

O Sítio Natura, em Nova Viçosa (BA), onde o artista plástico polonês Frans Krajcberg mantém seu ateliê e se tornará um museu, foi furtado na noite de segunda, 3 de janeiro de 2011. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, três encapuzados deixaram o local carregando uma grande sacola.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110107/not_imp663087,0.php

Comentário sobre a notícia: Quando as autoridades baianas tomarão uma atitude? Quando irão respeitar o artista Frans Krajcberg? O que será que os ladrões roubaram visto que o sítio Natura já havia sido roubado e levaram tudo de valor que o artista tinha inclusive a única medalha que possuía dos tempos de guerra e a última recordação material de sua mãe assassinada em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial? Estou indignada e triste com o descaso das autoridades baianas!!!

Lourdinha Campos.

Frans Kracberg expõe no SWU realizado em outubro, em São Paulo


Frans Krajcberg teve uma exposição no Festival SWU. O artista cedeu algumas de suas obras em defesa do meio ambiente para exposição na mostra de artes que aconteceu dentro do festival SWU realizado ao longo de 3 dias numa fazenda no interior de São Paulo, em outubro. As obras de Krajcberg denunciam os crimes ecológicos e transformam os restos da natureza em sua própria defesa.

Reconhecido internacionalmente por emocionar e conscientizar pessoas sobre a questão do desmatamento através da arte, Krajcberg encontrou no movimento SWU um grande aliado para a causa a que vem se dedicando há mais de 50 anos. Durante a mostra do festival, o público teve a oportunidade de ver de perto esculturas, fotografias e filme do artista, com curadoria do galerista Sergio Caribé. (texto adaptado)

Visite --- http://www.swu.com.br/pt/

VISITE O ESPAÇO CULTURAL FRANS KRAJCBERG EM CURITIBA, PARANÁ, BRASIL

O Espaço cultural localizado dentro do Jardim Botânico com exposição permanente de uma coleção de 110 esculturas do artista plástico Frans Krajcberg, polonês radicado no Brasil, reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho de defesa do meio ambiente. Suas obras são feitas de madeira queimada, retirada diretamente de áreas devastadas pela ação predatória do homem.
As obras são o ponto de partida para a reflexão sobre a relação do homem e a natureza, arte e meio ambiente.

Ingressos:

de segunda a sábado - R$ 3,00 e R$ 1,50 (meia entrada para estudantes); aos domingos, preço único - R$ 1,00; às quartas-feiras, entrada franca.

Telefone: (41)3218-2419

Email: rofabri@fcc.curitiba.pr.gov.br

Documentos necessários:Não há

Locais onde dar entrada:Rua Ostoja Ruguski, s/n, Jardim Botânico.

Horários de atendimento:

Manhã: 09:00-12:00

Tarde: 13:00-17:00

Horário diferenciado: de terça a domingo.

Fonte da pesquisa:

http://www.curitiba.pr.gov.br/servicos/cidadao/espaco-cultural-frans-krajcberg/783

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Veja a última entrevista publicada do artista - JP online 28/5/2010

Assista entrevista com o genial artista contando, ele mesmo, fatos de sua vida: como chegou ao Brasil, a amizade com Ciccilo Matarazo, o descaso dos políticos de Curitiba em relação às suas obras expostas no espaço Frans Krajcberg, a primeira Bienal de arte de São Paulo, sua luta pela conservação da natureza em especial da Amazônia, entre outros. Assista em:

http://www.youtube.com/watch?v=KVs39tY8P7w&feature=youtube_gdata

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Espaço Frans Krajcberg em Curitiba fechado durante o mês de janeiro de 2010

Espaço Krajcberg fecha para obras de climatização

O Espaço Cultural Frans Krajcberg, no Jardim Botânico de Curitiba, permanecerá fechado durante o mês de janeiro para obras de melhorias na climatização. Os trabalhos vão garantir melhores condições de conservação do acervo, composto por mais de 100 esculturas em madeira do artista plástico Frans Krajcberg. O espaço deve reabrir ao público em fevereiro, quando também reiniciam os programas de visitadas monitoradas e de arte-educação para crianças da rede municipal de ensino.

Espaço de arte e de educação ambiental, o local abriga uma exposição permanente das obras de Krajcberg, artista reconhecido internacionalmente pelo seu engajamento na preservação da natureza. A galeria reúne esculturas de grandes dimensões, feitas com cipós e troncos de madeira queimada, retirados diretamente de florestas onde houve depredação. A proposta do artista é despertar a indignação contra a ação devastadora do homem.

Além das esculturas, o acervo, doado pelo artista ao município em 2003, é composto de relevos, fotografias, vídeos, textos e publicações que formam um centro de documentação e servem de base para ações educativas. A programação, a cargo da Fundação Cultural de Curitiba, envolve, além da exposição permanente, mostras de vídeo, debates, seminários, visitas monitoradas para escolas e outras ações que visam a educação ambiental e a discussão sobre artes visuais.

Espaço Cultural Frans Krajcberg
Rua Engenheiro Ostoja Roguski, s/n° - Jardim Botânico
(41) 3218-2419
rofabri@fcc.curitiba.pr.gov.br

Filme independente sobre Frans Krajcberg

"FRANS KRAJCBERG" de Homero Kovalhuk
Duração:4 minutos - Formato:16:9 HDV
Sinopse:Documentário sobre o trabalho do artista FRANS KRACJBERG em exposição no Jardim Botânico de Curitiba
Ano de produção:2005
Cidade:Curitiba Paraná

Decreto Legislativo que dispóe sobre a concessão de título de cidadão paulistano a FK

PDL 0029/09

Projeto de Decreto Legislativo nº 29/2009 de 27/05/2009
DISPÕE SOBRE A CONCESSÃO DE TÍTULO DE CIDADÃO PAULISTANO
AO SR. FRANZ KRAJCBERG, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
* * * RETIRADA PELO VEREADOR PARA SER ENTREGUE EM
EVENTO FORA DAS DEPENDÊNCIAS DA CASA, EM 05/08/09 * * *
Autor(es): CLAUDIO FONSECA
Fase da tramitação: Envio-> Área: CERIM Data: 07/08/2009 | Recebimento-> Área: SGP22 Data: 07/08/2009
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Texto na íntegra:

PDL : 0029/09
Autor : CLAUDIO FONSECA
Sessão : 044-SO
D.O.M. de : 29/5/2009
Descrição :
““Dispõe sobre a concessão de “Titulo de Cidadão Paulistano” ao Sr. Franz Krajcberg, e dá outras providências.
A Câmara Municipal de São Paulo DECRETA:
Art. 1º Fica concedido a outorga do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Franz Krajcberg.
Art. 2º A honraria será feita em Sessão Solene, a ser convocada pelo Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, especialmente para esse fim.
Art. 3º As despesas decorrentes da execução do presente Decreto Legislativo correrão por conta de dotações orçamentárias próprias ou suplementadas se necessário.
Art. 4º Este decreto legislativo entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas disposições em contrário.
Sala das Sessões, Às Comissões competentes.”

fonte: http://www.camara.sp.gov.br/projintegrapre.asp?fProjetoLei=0029%2F09&sTipoPrj=PDL

Um pouco mais da biografia do artista Frans Kracberg

A voz do artista é baixa. É por meio de sua obra que o artista plástico Frans Krajcberg grita. "Grito contra as injustiças e a violência contra a vida, contra o homem, contra a natureza", diz. "Espero que este grito seja entendido."

A revolta de Krajcberg transforma em obra artística qualquer tronco de árvore queimada ou cipó arrancado de mangues e abandonado na praia. Não há como não ouvir o grito diante dos galhos que se abrem como braços decepados a pedir abrigo. Hoje, ele não gosta mais de viajar. "Há quatro anos fui ao Acre e chorei de tristeza, chorei como criança ao ver tanto massacre," lamenta. "Tem de mudar o nome de Mato Grosso, pois nem mato fino tem mais; tem que mudar o nome do Brasil porque pau-brasil não tem mais". A obra é o reflexo da vida. Filho de comerciantes judeus, Krajcberg nasceu em Kozienice, na Polônia, em 1921, no amargo rescaldo da 1.ª Guerra Mundial. A invasão da Polônia pela Alemanha, no início da 2.ª Guerra, pega-o longe de casa. Tinha 18 anos. Volta correndo, mas tarde. Nunca mais viu o pai, a mãe, os dois irmãos e as duas irmãs, presos e conduzidos para campos de concentração. "Sou um homem queimado", autodefine-se.

Chagall

Os anos de guerra o levaram para muitas regiões da Europa, como integrante de grupos de resistência. Terminado o conflito, já com a visão internacionalista das artes, ele segue justamente para Stuttgart, na Alemanha, para estudar com Willi Baumeister. Em 1947, está em Paris, sem trabalho e sem condições de estudar. É quando o Brasil, conhecido então como o Novo Mundo ganha Frans Krajcberg. Graças ao pintor Marc Chagall, que lhe paga a passagem de terceira classe.

Primeiro o Rio, depois São Paulo. Na capital paulista, consegue emprego, mas foram anos sofridos, sem projeção artística, com telas cinzas, quase monocromáticas, que reproduziam seu estado de espírito. A depressão tomou conta. A revolta cresceu. "Depois da guerra eu fugia do homem", lembra. O reencontro aconteceu em Telêmaco Borba (PR), na Fazenda Monte Alegre, da família Klabin, em 1952. "Foi o primeiro calor humano que eu tanto precisava", emociona-se. "Senti que estava perto de uma família." Na natureza encontrou respostas. "Ela me mostrou tudo e nunca me perguntou de onde vinha, que religião tinha, de que nacionalidade sou." Mas parte de sua nova família começou a ser dizimada na década de 50. Até agora, ele demonstrava sua revolta em exposições itinerantes. Espera que as permanentes gritem alto.

Texto adaptado de:http://www.parana-online.com.br/canal/direito-e-justica/news/62035/

Frans Krajcberg recebe título de cidadão paulistano

dom, 09/08/2009 - 19:26

A Prefeitura de São Paulo lançou no último dia 9 de agosto, no Parque do Carmo, em Itaquera, a pedra fundamental do Pavilhão Krajcberg. A cerimônia contou com a presença do Vereador Natalini, que entregou ao artista o título de cidadão paulistano, do Prefeito Kassab, do Sr. Frans Krajcberg (homenageado), dos Secretários Calil (cultura), Andrea Matarazzo (subprefeituras), Eduardo Jorge (meio ambiente), da Sra Milu Vilela, entre tantas outras autoridades.
O edifício de 1.650m², orçado em R$ 5,5 milhões, dedicado à educação ambiental, abrigará 40 obras doadas ao município pelo artista polonês radicado no Brasil Frans Krajcberg. Projetado pelos arquitetos José Rollemberg Filho e Lara Melo Souza, da Secretaria Municipal de Cultura, o pavilhão será dividido em dois blocos, um dedicado a exposições e outro ao apoio (biblioteca e sala de projeções, além de áreas de manutenção, setor administrativo e banheiros).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Frans Krajcberg ganha Pavilhão no Parque do Carmo, em São Paulo, Brasil

educação ambiental

Frans Krajcberg ganha Pavilhão no Parque do Carmo

O artista polonês Frans Krajcberg terá um espaço exclusivo e definitivo para expor suas obras em São Paulo – o Parque do Carmo –, que se dedicará não só à divulgação de suas criações, mas, também à conscientização ambiental. A pedra fundamental do Pavilhão Krajcberg foi entregue no domingo passado pela Secretaria Municipal de Cultura

Por Débora Spitzcovsky

Planeta Sustentável (http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/frans-krajcberg-pavilhao-parque-carmo-educacao-ambiental-491557.shtml)

Notícia publicada em 12/08/2009

Polonês radicado no Brasil, Frans Krajkberg é considerado o precursor da arte ecológica no nosso país. O artista plástico utiliza seu trabalho – feito a partir de resquícios de natureza destruída, como árvores queimadas, cipós e troncos calcinados – como ferramenta para conscientizar e educar a sociedade sobre a degradação ambiental.

A técnica e as mensagens transmitidas por Krajkberg já ganharam reconhecimento internacional e, no dia 10 de agosto, o artista plástico recebeu mais uma homenagem: a pedra fundamental do Pavilhão Krajkberg, no Parque do Carmo, foi entregue pela Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

O projeto, que não recebeu o nome do artista plástico por coincidência, foi idealizado para ser um espaço cultural voltado à reflexão sobre o meio ambiente, ou seja, com o objetivo de incentivar a educação ambiental. Para isso, o Pavilhão contará com dois blocos:

- no primeiro, ficarão expostas 40 obras fotográficas de Krajcberg sobre a destruição da natureza, doadas ao município pelo próprio artista, além de um “espaço de sensibilização”, com cheiros e sons da mata;
- o segundo bloco contará com biblioteca, sala de projeções e, também, um mirante de observação do Parque, localizado na laje do prédio. Segundo a Secretaria municipal de Cultura, a ideia é utilizar esse espaço para ministrar uma série de workshops e palestras gratuitos sobre educação ambiental.

O Pavilhão Krajcberg será construído com paredes de vidro com vista para o lago do Parque do Carmo, a fim de aumentar a interação dos visitantes com a natureza e oferecerá acesso total aos portadores de necessidades especiais.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fotos recentes de Frans Kracberg







Fonte: flickr - MAM 60

Trecho de documentário "Visita à Krajcberg" de Roberto Moreira

Assista o vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=Rn7yIn_RrHY

Sinopse: Trecho de documentário "Visita à Krajcberg" de Roberto Moreira, retrata o escultor Frans Krajcberg em seu ateliê, em Nova Viçosa, Bahia. Faz parte da série de DVDs Encontros do Itaú Cultural sobre artistas e outras personalidades da história do Brasil.Disponível para empréstimo gratuito na midiateca da sede do Itaú Cultural em São Paulo ou em bibliotecas e instituições parceiras do Instituto. Mais informações: (11) 21681777 (Instituto Itaú cultural)

1997- Editor: Itaú cultural
sistema: NTSC
série: Encontros
duração: 15 minutos
Idiomas: Português, francês e inglês

Assista trecho do vídeo em: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2699&pag=24&ordem=titulo
(aguarde carregar a página para assistir)

Entrevista com o artista Frans Krajcberg publicada em 22/7/2009

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_416780.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt

Como a arte pode servir à ecologia?

A arte, como a conhecemos hoje, é feita para o mercado. Não se fala mais em estilo, linguagem, mas apenas em valor. Então, penso que precisamos enxergar uma nova realidade. As artes plásticas nem sequer abriram a porta para o século 21. É missão da arte acompanhar a evolução do homem. O que temos hoje? Uma revolução tecnocientífica, um vazio político absoluto e, pela primeira vez na história, uma preocupação com a saúde do planeta. Esse é um tema urgente do século 21, mas até agora esquecido pela arte. A única linguagem sintonizada com ele é a fotografia, justo ela que, por décadas, foi considerada arte menor. É a fotografia que está nos apresentando a degradação ambiental da Terra. É algo que o cinema, por exemplo, não fez. Nem a pintura. O fim do século 20 foi escandaloso. Em termos de destruição do ambiente em si ou da postura omissa da arte diante do tema? No século 20, a arte não acompanhou a barbaridade praticada pelo homem contra o homem. Apenas um grande artista, com uma grande obra, retratou a Segunda Guerra Mundial: Picasso, com Guernica. Só. É escandaloso notar como o mercado dominou e conteve toda a expressão artística.

De que maneira a arte pode servir à conservação ambiental ou a outros temas contemporâneos? Para isso, ela deve necessariamente chocar?

A arte não precisa chocar, e sim acompanhar a evolução do homem, das questões que nos cercam. Se ela não se preocupa em acompanhar o homem, está apenas servindo ao comércio. Meu desejo, porém, sempre foi fugir do homem. Eu não suportava mais viver depois da guerra. Foi muito brutal para mim. Fiquei sozinho no mundo. Toda a minha família foi morta. Não tenho parente, não tenho ninguém. Como oficial do Exército, lutei durante quatro anos e meio. Quando cheguei à Polônia com o Exército russo, libertei um campo de concentração cheio de húngaros. Entrando no campo, vi três montanhas de lixo: eram homens empilhados para serem queimados no crematório. Depois, viajando pela Amazônia no alto rio Juruena, no Mato Grosso, observei nuvens de urubus. Aproximei-me com o barco, entrei na : oresta, fechei os olhos e fiz uma foto. Eu jamais havia visto cena tão bárbara: seis índios pendurados numa árvore, com centenas de urubus ao redor. Fiz a foto com os olhos fechados. Então, com tudo isso que aconteceu diante de mim, que tipo de arte me resta fazer? Pintar flores para senhoras? Ou mostrar essa barbaridade, essa destruição, de modo a alertar sobre a salvação de uma floresta, a Amazônia, de que o planeta tanto precisa? Ela está sendo destruída como fizeram com a Mata Atlântica.

O que mais lhe atrai na Mata Atlântica?

A mata fechada tem galhos bonitos, retorcidos, formas variadas. Tanta riqueza me ajuda a ver a escultura, antes mesmo de eu a esculpir. A floresta mais linda do planeta é a Mata Atlântica do sul da Bahia, do Espírito Santo e um pedaço de Minas Gerais. São pequenas porções de uma floresta única, hoje vitimada pelo fogo, cercada de plantações de eucalipto. O mundo discute a falta de água. Mas, quanto mais eucalipto se planta, menos água o mundo vai ter. Não há mais diversidade de árvores na Bahia. A cada dia diminui a Mata Atlântica baiana. É por isso também que eu quero ir embora de Nova Viçosa, que se tornou um lugar insuportável. Fui envenenado pela cozinheira e, quando vim me tratar em São Paulo, me roubaram tudo no sítio. Os ladrões continuam livres. A polícia de lá não me defende.

O senhor extrai beleza daquilo que parece morto, acabado. É como se nos dissesse que é possível renascer, sempre. No futuro, essa será a grande mensagem de sua obra?

Como posso gritar? Se grito na rua, vão me levar ao hospital como doido. Eu gostaria de mostrar uma fotografia com as três montanhas de corpos dos campos de concentração, mas não tenho essa foto, ou botar a imagem da árvore com os índios nessa exposição que fiz em São Paulo. Mas isso não consigo. Então, eu trouxe comigo pedaços de árvore, que o fogo deixou, unidos em escultura. É o único grito que posso dar, para mostrar minha revolta contra uma sociedade que só sabe exibir a brutalidade do homem com a vida. Está na hora de parar com isso.

Trechos da reportagem publicada em 22/6/2009 - Serra homenageia artistas com Ordem do Ipiranga

Fonte: http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=202211.

Veja a solenidade em : http://www.youtube.com/watch?v=nhXwgNFx28s


Lista de agraciados conta com nove personalidades do mundo das artes - Gilberto Marques

O governador José Serra entregou a Ordem do Ipiranga, distinção estadual, nesta segunda-feira, 22 de junho, no Palácio dos Bandeirantes a nove personalidades do mundo das artes.

O maestro Isaac Karabitchevsky e a cantora Inezita Barroso receberam o título de Grande Oficial; a atriz Beatriz Segall, o Grau Comendador; o artista plástico Emanoel Araújo, o de Oficial; e o cineasta Anselmo Duarte, a atriz Fernanda Montenegro, a escritora Lygia Fagundes Telles, o cantor Cauby Peixoto e o escultor, pintor e fotógrafo Franz Krajcberg serão agraciados com o título Cavaleiro.

"São pessoas que deram uma contribuição muito significativa para a vida brasileira, para o lazer, para o desenvolvimento intelectual e também pela sua simplicidade e seu compromisso com as raízes de nosso país", disse o governador durante a homenagem.

A Ordem do Ipiranga é uma forma de premiar as pessoas que de alguma forma se sobressaiam em seus campos de atuação, explica o presidente do Conselho Estadual de Honraria e Mérito, Adilson Cezar. "A Ordem do Ipiranga é destinada a alguém que tenha um destaque específico numa área e que, evidentemente, defenda os valores paulistas e nacionais", completa.

O título, vitalício, é concedido a poucas pessoas. A Ordem conta hoje com 1391 membros: há 56 Cavaleiros, 493 Comendadores, 227 Grã-Cruz, 543 Grandes Oficiais e 72 Oficiais. Os diferentes graus definem uma hierarquia na Ordem. (...)

Cavaleiro (...) Frans Krajcberg

Escultor, pintor e fotógrafo de origem polonesa, Frans Krajcberg é um artista contemporâneo que encontra na natureza seu porto seguro. Célebre por sua luta em defesa do meio ambiente e da Amazônia, Frans Krajcberg divide seu tempo entre o Brasil e a França onde possui um museu.

Frans Krajcberg doa acervo e sítio para o estado da Bahia: Reportagem publicada em 4/6/2009 - Jornal A Tarde - on line

Renata Carvalho | Agência A Tarde

O artista plástico Frans Krajcberg, 88, assinou na manhã desta quinta-feira, 4 de junho de 2009, um contrato de usufruto que garante a concessão do acervo de sua obra para o Estado da Bahia depois de sua morte. Krajcberg vive no estado desde 1972 e mora sozinho no Sítio Natura, em Nova Viçosa, a 940 km de Salvador. O terreno também será doado ao poder público depois do falecimento do artista.

Krajcberg é polonês naturalizado brasileiro. Sua obra tem forte apelo com as questões ambientais e já foi alvo de bandidos que tentaram saqueá-lo. "É necessário. Alguém tem de ser dono da minha obra após minha morte. E quem vai herdar tudo é o estado da Bahia", disse.

A cerimônia para assinatura do contrato de usufruto aconteceu no Hotel Fiesta, no Itaigara, durante o "Seminário Nacional Nordeste: água, desenvolvimento e sustentabilidade". Estiveram presentes o governador Jaques Wagner, o secretário de meio ambiente, Juliano Matos, e o secretário de cultura, Márcio Meireles.
Fonte: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1160116

Veja também vídeo sobre este assunto em:
http://www.youtube.com/watch?v=yvF8JXJsn6I
http://www.youtube.com/watch?v=mb5VX3INzOk

Entrevista com Frans Krajcberg publicada em abril de 2009

Sílvia Czapski, jornalista
Fonte: http://revista18.uol.com.br/visualizar.asp?id=1639


Revista 18 Como o senhor tem sentido a reação a sua exposição, na Oca?

A exposição só aconteceu graças à Milu Vilela (presidente do mam-sp), uma mulher muito corajosa. A alegria que tenho, quando entro lá, são as centenas de crianças que querem beijar, abraçar, querem tirar foto. Num domingo, passaram por lá 2,5 mil pessoas. Eu não fiz a exposição para ter páginas nos jornais, mas para ter diálogo. Mas a imprensa, como pode ignorar isso?

18 Mas têm saído muitas notícias...

FK Uma coisinha ou outra. Eu participei, em 2005, do Ano França-Brasil, com uma exposição individual no Museu Bagatelle. Quem me convidou foi o prefeito de Paris. Não foi autoridade brasileira. Ela foi prorrogada duas vezes, porque tinha um público enorme. Houve várias reuniões sobre ecologia. O Le Monde, jornal conhecido do mundo, fez uma análise: deu primeiro lugar para a grande exposição dos índios, no Grand Palais, uma exposição, sem dúvida, marcante. Segundo lugar: Bagatelle. Ao mesmo tempo, saiu na Folha de São Paulo: um polonês está expondo em Paris. Como agora; até hoje não se vê um artigo sobre esta exposição. Estou impressionado como São Paulo é muito fechada para mim e para si própria (esta entrevista foi realizada em novembro, antes da publicação de reportagens que discutiram as mensagens das obras de Krajcberg).

18 A educação ambiental está em moda. Como acha que se deve trabalhar para alertar as pessoas, especialmente as crianças ?


FK Eu estou vendo a juventude muito sensibilizada. Minha exposição sempre está cheia. Isso é muito positivo. Precisamos dar mais consciência. Porque você vê, aqui no Brasil, inundações cada vez piores. Ninguém pergunta por que isso está acontecendo no Brasil. Ignorando, vamos continuar destruindo. Um país tão grande, tão rico... e uma miséria que dá para chorar. Não é justo.

18 O que o senhor mostraria de sua obra a uma criança que vem da escola?

FK Não é mostrar a obra, mas a natureza, que é riquíssima. A criança costuma ver e respeitar. Isso se chama educar. Não tem no mundo outro país com tanta riqueza como nas florestas da Amazônia. Precisa destruir? Expulsar os habitantes? Não. O país poderia aproveitar, facilitar para que brasileiros conheçam o Brasil. São muito raros os que conhecem. Os políticos, nem a região deles, eles conhecem. E fazem as leis mais absurdas do mundo. E nós somos passivos. O mundo, o planeta precisa da Amazônia. Precisamos de oxigênio.

18 E há outros ecossistemas, biomas além da Amazônia, também sendo destruídos...

FK Dá medo ver a realidade. A humanidade aumentou muito. E vai aumentar. A onu está prevendo que, no final deste século, vamos chegar a 14 bilhões de habitantes. De onde vai vir comida? A gente vê a cidade crescendo e as terras para cultivar diminuindo. A população precisa viver. Eu lembro como hoje: 45 milhões de habitantes no Brasil. Chegamos a 180 milhões! Que estrutura mudou para essa gente? Nenhuma! Como a gente vai suportar viver, as cidades crescendo, a população sem trabalho, sem ter onde morar e comer. É assunto real, mas ninguém discute. Mesma coisa na Amazônia.

18 O senhor mencionou discussões internacionais...

FK Eu participo de reuniões internacionais. Participo de um fórum global. O mundo está acordando para a realidade. O alarme é para salvar o planeta, para a humanidade poder sobreviver. Se continuar assim, o planeta vai se vingar. Precisamos corrigir muita coisa para viver em paz com ele. No mundo, fala-se muito sobre o planeta e sobre a Amazônia. Precisamos ter consciência do que está acontecendo nas florestas. As queimadas fazem mal à saúde do planeta. A Amazônia vai desaparecer se continuar assim. E o mais grave é que as queimadas não são só árvores, há o povo que mora lá. A violência com esse povo cada vez é pior. Aqui no Brasil estamos passivos. Parem de ir à Amazônia, plantar soja transgênica, vender para a China para engordar os porcos lá, enquanto o povo morre de fome! Escandaloso, isso. Onde estão as vozes de gente consciente sobre esse assunto? O movimento sobre ecologia, é tudo fachada. Estou vendo a minha exposição. Até hoje, ninguém da ecologia se interessou em aproveitar para dialogar sobre o assunto.

18 O senhor ficou quanto tempo na Amazônia? Onde viveu lá?

FK Se eu contar histórias sobre a Amazônia, ninguém vai acreditar. Uma vez, vi nuvens de urubus. Fiz uma foto, de olhos fechados. Vocês não podem imaginar que cena. Seis índios pendurados numa árvore, com milhares de urubus em cima. Foi no tempo militar. No Rio de Janeiro, dois policiais vieram à minha casa. "Entregue essa foto e nunca mais fale sobre essa foto". Chegou a democracia. Fiz uma exposição na Petite Galerie, no Rio de Janeiro. Um jornalista perguntou sobre essa foto, que todas as agências que viam nunca queriam publicar, porque é muito cruel. Chegou um senhor bem-vestido: "Sou da polícia. Pela segunda e última vez, um aviso. O senhor entrega essa foto e nunca mais fala sobre esse assunto". Eu sei uma coisa: nunca falei tanto sobre essa foto.

18 O senhor tem essa foto?

FK Tenho. Nem dá para ver duas vezes. Porque é muito cruel. Isso acontece muito. Os índios jogados, corpo velho na rua, expulso das terras. Falam das árvores que foram queimadas. Mas dos índios que foram queimados não falam. É triste ver tudo isso.

18 Como é sua relação com o mercado de arte? O senhor não faz obras para serem vendidas?

FK É verdade, nem gosto da palavra arte. Porque meu trabalho é meu grito. Gostaria de gritar cada dia mais alto, mais violento contra a barbárie praticada. Como posso fazer? Se gritar na rua, me levam ao hospital de doidos [risos]. O que eu gostaria de fazer é isso. Durante a guerra, todas as pontes para o exército passar, quem construiu fui eu. Perdi mais de duzentos soldados. Quando alguém pisou Varsóvia, foram meus pés. No Gueto de Varsóvia só tinha pedra. No campo de concentração, na Hungria, vi montanhas de lixo, homens jogados como lixo. Depois da guerra eu queria fugir dos homens. Mas homens, tem em todo lugar do planeta. Mesmo assim, muitas vezes me isolei.

18 O senhor consegue fazer beleza a partir dessa destruição, do seu grito. Qual é, na sua visão, a relação entre arte e beleza?

FK Meu grito não é estético. Eu não procuro fazer isso. Meu trabalho é querer gritar, protestar contra esse barbarismo que o homem pratica. Se não consigo, não é falta de vontade.

18 As crianças que veem a mostra entendem a mensagem?

FK A professora fala com eles. Não sou para isso. Eu posso contar a minha vida. Por que essa revolta contra o homem? Passei quatro anos e meio na guerra, você vai compreender. Nem eu sei como sobrevivi. Quem ficou vivo da minha família? Só eu, de uma família de certamente 150 pessoas. Por quê? Eu estava lutando. Oficial do Exército. A libertação dos húngaros me marcou pelo resto da vida. Essa imagem não sai de mim. Como esses índios, pendurados nas árvores, com centenas de urubus. Como esquecer? Como parar com o barbarismo que homens praticam contra outros homens? A única coisa que posso fazer é ficar revoltado contra essa gente que o pratica. Eu tenho que lutar contra esse barbarismo. Eu saí da Polônia e jurei que nunca mais vou pisar nessa terra.

18 Nunca mais pisou na Polônia?

FK Tem muita coisa para contar. Fui amigo intimo do Mordechai Anilevich, chefe da luta armada contra os alemães no Gueto de Varsóvia. Nós nos separamos. E eu devia ir para a Romênia. Mas fiquei doente e me levaram ao hospital em Minsk, na Bielorrússia, onde fiquei três meses. Perdi contato com ele. Mas eu sei que todos eles se mataram para não se entregar à Alemanha. Foi a luta mais conhecida, única luta, com Anilevich, chefe da luta no gueto. Grande amigo. Eu fiz o retrato dele. Entreguei à Associação Judaica no Rio. Eles venderam esse retrato. Eu fiz de tudo para comprar esse retrato um ano atrás.

18 Conhecemos pouco de sua biografia. O senhor nasceu na Polônia, na 2ª Guerra Mundial lutou no Exército, perdeu a família ...

FK Tem muita história. Minha mãe foi líder do Partido Comunista, que estava proibido. Ela estava sempre na prisão. Fui educado mais com meus tios, mas tinha uma grande paixão pela minha mãe. Quando a guerra começou, soube que os alemães invadiram a cadeia, fuzilaram e enforcaram as pessoas. Minha mãe foi enforcada. Consegui chegar até a prisão, descobri a sala, mas não sabia como tirá-la da forca. Vi que os alemães chegaram de novo. A única coisa que ela tinha era um colar com o símbolo do partido. Arranquei e consegui fugir da prisão. Carreguei esse colar do final de 1939 até meses atrás. Esse colar foi-me roubado. E uma medalha que Stalin lhe deu pessoalmente. E três quadros. Um desenho que Chagall me deu. Foi Chagall quem me mandou para o Brasil. E agora eu não tenho defesa para viver. Me roubaram tudo... para construir um museu, acabou. Mas minha luta pelo planeta continua. Se aceitam ou não, isso é assunto dos outros; eu não posso parar. A defesa da vida é o principal do meu ser. É a minha obra. Só isso: sou contra o barbarismo que o homem pratica contra o homem. Acho que a gente não tem direito de ser passivo.

18 E por quê?

FK E aí pergunto. Eu tenho direito ainda de viver? No Sul da Bahia, não. É a primeira vez que vejo antissemitismo no Brasil. Telefonam e dizem: não queremos judeus nesta região. São telefonemas anônimos.

18 Muitos artistas têm dificuldade de sobreviver no Brasil. O senhor vive com sua arte, que é um grito. Temos de concluir que há gente que gosta do que faz, o apóia.

FK Minha revolta é muito mais forte comigo mesmo que com o trabalho que estou fazendo. Como fazer que esse trabalho seja um grito, manifeste a revolta? Não é fácil.

18 O que é religião para o senhor?

FK Sou judeu, nasci judeu, nunca, até minha morte, vou negar que sou judeu. Mas religião, não quero saber de religião. Religiões separam os homens. Todos eles. História da Religião, é tudo inventado. Eu pessoalmente não acredito.

18 O senhor tem alguma obra em Israel?

FK Fiz uma exposição em Jerusalém. Achei que Israel me ignora. Mas não tem importância. Eu estou vivendo num lugar que se chama Brasil, o primeiro lugar em que vi que posso viver, só viver, trabalhar, participar.

18 Qual é o melhor lugar no Brasil?

FK Curitiba. Tem muita abertura. Quando Jaime Lerner governou, deu maior abertura para a ecologia. Foi ele quem quis meus trabalhos lá. Nunca pedi nem que me pagassem a passagem até Curitiba. Tem 110 esculturas minhas lá, doadas.

18 E a visitação lá como é?

FK Muito grande. Perto de meu espaço tem um grande jardim botânico. Jaime Lerner fez tudo. E funcionava internacionalmente. Depois começaram a entrar os outros...

18 É comum, quando outro partido entra, querer negar o que se fez antes.

FK Não se deve esquecer uma coisa. Na entrada deste século estamos sem um líder político no mundo. Arte também precisa da política, precisa observar a vida e a evolução do homem. Senão, o que faz? Destinar-se ao comércio? Repetir formas? O que significa isso? Nada.

18 Que mensagem daria a um jovem artista plástico hoje?

FK É difícil analisar que artes plásticas vão abrir a porta para este novo século. No começo do cubismo, que chegou da Rússia, os artistas participaram politicamente. Muitos estavam na Sibéria. Por que foi aceito? Olhe como foi a entrada no século 20. Ele mudou completamente a vida humana neste planeta, a produção industrial, tudo. Eu participei. A primeira lâmpada que acendeu a luz. O telefone parecia um trator para falar. Toda a evolução tecnológica foi impressionante. Mas o desenho estava em baixa. A arquitetura estava desmoralizada. A miséria na Alemanha, greves, tudo isso criou base para a Bauhaus, o expressionismo alemão e muito outros movimentos. Foi autêntico, no momento. Só que o século 20 foi o maior desastre. Foi dominado só pelo mercado. Depois, não vimos outras manifestações de arte. O novo século, aí está. Tem três caminhos. Que arte vai ser feita, ninguém pode prever.

18 Quais as perspectivas?

FK Quais são os sintomas da porta de entrada do século 21? Primeiro, a grande evolução tecnológica e científica. Segundo, o absoluto vazio político. Não tem um líder hoje. Terceiro, pela primeira vez, a humanidade fala da saúde do planeta. Isso é mundial. Estamos aqui: abra a porta e bem-vindo! E no Brasil? Até hoje não abriram a porta. Com a fotografia, é o contrário. Pela primeira vez na história da arte, a fotografia é arte plena. Porque foi sempre considerada arte menor. Ela foi a ruptura no final do século 20.

18 Ao mesmo tempo, qualquer telefone celular tem câmera fotográfica. Todo mundo está registrando. Será que as pessoas começam a enxergar, pela fotografia, sua realidade?

FK Quantas máquinas fotográficas se produzem todo dia? É marcante. E, pela primeira vez, a gente vê que quem abre a porta é a fotografia. Temos fotógrafos impressionantes, que participam, mostrando o planeta. O cinema, as artes plásticas, não fizeram isso.

18 Como é seu processo de trabalho. Vê uma raiz, acrescenta coisas?

FK Viajo muito, filmo, fotografo. Tenho milhares de fotos. Quando passou a queimada, estou lá. Vendo que o fogo deixou um pedaço bonito, pego e levo de caminhão para o Sul da Bahia, para trabalhar. Na realidade, continuo contra essa barbárie que estão praticando com o planeta. Não se deve esquecer uma coisa. O século 20 foi a época mais bárbara da história deste planeta, e da humanidade. Quais são os artistas que participaram para denunciar? Só temos um quadro, Guernica, de Picasso. Todo mundo estava preso ao mercado.

18 O senhor tem uma visão otimista ou pessimista?

FK Até agora, eu sou muito pessimista. Quem vai abrir essa porta? Com o quê?

18 O que seria o ideal, que o senhor sonha para suas obras?


FK Não faço nada se não for ecológico, não faço nada se não se discutir sobre a saúde do planeta.

18 O manifesto do Rio Negro já tratava desse assunto...

FK Olhe, aqui no Brasil, não. Mas hoje em dia, é assunto mundial. No meu espaço em Paris, o manifesto do Rio Negro está presente todos os dias.

18 O senhor gostaria de voltar a morar na França?

FK Eu não gosto da vida urbana. Mas Paris é uma cidade que aguento dois meses [risos]. Não tem outra cidade igual no mundo.

18 O lugar de Krajcberg é na natureza?


FK Precisamos ter consciência. O mundo está acordando. Precisamos falar com o público brasileiro. Para não dormir um sono muito pesado. Você já viu alguém comprar terreno na Amazônia? Durante três dias, viajei pelo rio Purus e vi a mesma placa: terra particular, entrada proibida. Que país na Europa é tão grande como essas terras que o indivíduo pegou? É muito importante para a gente dar essa ênfase, para a saúde do planeta; fazer alguma coisa para salvar este planeta. De resto, o que posso falar mais? ■

Estadão.com.br – Reportagem publicada em 31/3/.2009

Fonte: http://pirandira.cptec.inpe.br/queimadas/material3os/memorialdanatureza.htm

O morador mais ilustre de Nova Viçosa, no sul da Bahia, é um polonês naturalizado brasileiro de 87 anos que não se cansa de lutar. Falta uma explicação que dê conta do tamanho da paixão de Frans Krajcberg pelo País e sua natureza - talvez apenas a casa que ele construiu sobre uma árvore de pequi, erguida a 7 metros do chão, para que o artista plástico pudesse ver o mar. O mar e o mato em volta. Porque a casa é síntese de sua vida e sua arte.

Krajcberg mora ali há quase três décadas. Vive só, mas sempre inquieto. Sobre o artista, sabe-se pouco e o bastante: estudante de artes e engenharia em Leningrado, viu a morte da família na 2ª Guerra. Em 1948, desembarcou no Rio de Janeiro, disposto a "fugir do homem". Em São Paulo, foi faxineiro e pedreiro até ser "adotado" por Ciccillo Matarazzo, que o convidou a expor suas obras na primeira Bienal, em 1951.

É dos maiores escultores em atividade no mundo, mas por pouco Krajcberg não abandonou os pincéis. Nos anos 50, Lasar Segall lhe arranjou emprego de engenheiro na fábrica de papel Klabin, no Paraná. O corte de árvores da região o despertou para a defesa do meio ambiente e, desde então, entre a abertura de uma exposição e uma homenagem, o escultor passa meses afastado da civilização, entre lama e destroços das queimadas. Registra em foto e em arte natural tudo o que vê.

Aos olhos de quem visitou a exposição da Oca numa manhã fria de novembro passado, ele é o artista dos pássaros, cobras, árvores e flores (esculturas de parede, entre R$ 120 mil e R$ 150 mil cada uma, na Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte). Krajcberg, que passou por São Paulo para conferir a abertura da mostra, caminha devagarinho, sorri à toa. Em entrevistas, esse polonês de olhos pequeninos diz que o que faz não é arte. E passa horas, se necessário for, provando que é preciso se indignar com a destruição do planeta. "O Brasil é esquisito. Não vejo um intelectual da mídia falando com seriedade sobre ecologia. Ninguém tem mais coragem. Mas, se a gente não defender a Amazônia, que seres humanos nós somos?", pergunta o artista.

À meia-voz, confessa estar com medo; em meados de outubro, ele teve sua casa invadida na Bahia. Levaram dinheiro, com o qual pretendia concluir as obras de seu museu, e uma condecoração de honra recebida no final da guerra. "Roubaram também uma medalha do Partido Comunista que pertencia à minha mãe. Ela foi presa pelos nazistas e fiquei dias procurando por ela. Até que a encontrei morta. Levaram embora minha lembrança mais preciosa", conta ele.

Krajcberg conheceu Nova Viçosa em 1958. Foi o arquiteto Zanine Caldas quem o chamou para construir lá um lar definitivo onde pudesse ter um ateliê e material para trabalhar. O artista passava, então, longas temporadas dentro de uma caverna, em Minas Gerais, coletando material para as esculturas e fabricando os corantes. "Houve uma época em que todos queriam morar aqui. Chico Buarque e Dorival Caymmi compraram terreno para esses lados. Mas abandonaram o lugar. Só eu fiquei", afirma.

A primeira morada, toda de madeira e vidro, resume-se hoje ao ateliê de Krajcberg e foi feita a quatro mãos, em 1971: ele e Zanine saíam juntos para catar madeira nas redondezas e montaram a construção quase sem desenho. O amigo o ajudou também a plantar milhares de mudas de árvores na região.

A casa da árvore veio logo depois: símbolo da ousadia daqueles tempos, a madeira desperdiçada - que hoje atende pelo nome de "madeira de demolição" - sustenta a construção que evoca, ao mesmo tempo, o simples e o genial. Além disso, existe o museu dedicado à obra do escultor que está sendo construído no terreno de 1,2 km². Com projeto do arquiteto Jaime Cupertino, dois pavilhões já estão prontos.

O modo particular como convivem plantas, troncos do pequi que perpassam o telhado, móveis que, de onde se olhe, parecem ter sido moldados pela natureza, tal a organicidade das linhas, expressam o entendimento de Krajcberg sobre a vida. O telhado em quatro águas fecha as laterais de vidro. O próprio tronco do pequi esconde a escada em formato de caracol por onde se chega à casa. Ele gosta de artesanato: objetos de vidro, pedra, madeira e folha foram ganhando espaço dentro de sua casa. Todo o resto é madeira. O papel de parede com desenho de folhas foi trazido de Paris há muito. E mais nada: Krajcberg, que acorda às 5 da manhã e caminha quilômetros na beira da praia, se cerca de tudo que lhe é caro e necessário.

3/2009: Fórum e lançamento do livro Queimada, de Frans Krajcberg, marcam aniversário do CRA

Trechos da reportagem publicada em março/2009

Fonte: http://www.seia.ba.gov.br/noticias.cfm?idnoticia=3971


O Centro de Recursos Ambientais (CRA) comemorou em março 25 anos de atividades. Para marcar a data, diversos eventos foram programados, entre eles o Fórum de Debates Desenvolvimento e Meio Ambiente, que reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade, e o lançamento do livro ‘Queimada’, de Frans Krajcberg.
O Fórum de Debates, realizado no auditório do Sol Barra Hotel, no Porto da Barra, permitiu que governo, empresários, entidades ambientalistas e sociedade civil se juntassem para discutir a cooperação necessária entre setores públicos e privados para superação dos impasses do licenciamento ambiental.
(...)

Frans Krajcberg

O lançamento do livro Queimada, do escultor, pintor e fotógrafo Frans Krajcberg, no palácio da Aclamação, também fez parte da programação dos 25 anos do CRA. Polonês naturalizado no Brasil em 1954, Krajcberg denuncia, por meio de sua arte, a destruição da natureza no Brasil, principalmente no sul da Bahia onde ele vive há 36 anos e mantém um projeto de um museu ecológico.

O livro, lançado por iniciativa do Centro de Recursos Ambientais (CRA), reúne 200 fotos. "É um forte apelo feito através da arte de Krajcberg para conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação", explicou a diretora-geral da autarquia, Beth Wagner. A tiragem inicial será destinada a instituições ambientalistas e escolas públicas.

Parte das fotos foi ampliada e exposta no Palácio da Aclamação para marcar o lançamento da obra e das comemorações dos 25 anos do CRA, além de servir como homenagem a Frans Krajcberg que recebeu o Título de Cidadão Baiano.

"Gosto muito de artistas que mais do que a arte defendem uma causa e este é bem o perfil de Krajcberg quanto à preservação da natureza", disse o governador Jaques Wagner, que sugeriu a concessão do título, após ter visitado o trabalho do artista em Nova Viçosa, a 904 quilômetros de Salvador. Wagner recebeu o primeiro livro autografado pelo autor.

Foram ainda exibidos quatro filmes de curta metragem, que destacam o trabalho de Krajcberg, bem como a homenagem do artista ao ambientalista Chico Mendes, assassinato no final da década de 80. "Mais do que a exaltação da minha arte quero que minhas obras cumpram seu principal papel de alertar para a preservação da natureza", concluiu o artista, ao autografar os livros.

Reportagem Jornal Nacional em novembro de 2008 sobre a Exposição “Natura” de Frans Krajcberg” no OCA, São Paulo.

Assista em: http://www.youtube.com/watch?v=DN3eMaReiOo

Entrevista concedida a Maria Hirszman, O Estado de São Paulo

O escultor Frans Krajcberg se tornou nas últimas décadas um dos maiores embaixadores da causa ambiental no planeta, ao transformar sua expressão artística num grito de revolta contra a irracionalidade humana. Seja com as esculturas feitas a partir de árvores incineradas da Amazônia e de pigmentos naturais extraídos da ameaçada região do minério, em Minas Gerais, ou ainda de pungentes registros fotográficos de queimadas - e que agora podem ser vistos na grande exposição em cartaz na Oca, do Parque do Ibirapuera, como parte das celebrações dos 60 anos do Museu de Arte Moderna de São Paulo -, Krajcberg gostaria de despertar nas pessoas a consciência de que a exploração econômica descontrolada leva à destruição, não apenas ecológica, mas social e política.
Incansável em seus 87 anos, o artista que viu a família ser dizimada pelos nazistas na 2.ª Guerra e que não esquece o que assistiu enquanto combatia ao lado do exército russo, continua desenvolvendo uma série de projetos. Entre eles, estão a ampliação proposta pela prefeitura de Paris de seu espaço parisiense (misto de museu e local de debate) e a construção de novos museus com obras suas em várias partes do mundo, como Canadá, Holanda e EUA. Mas se vê também às voltas com problemas graves em Nova Viçosa (sul da Bahia), onde se instalou na década de 70. Em entrevista ao Estado durante a montagem de sua mostra em São Paulo ele comenta esse e outros assuntos.

É verdade que essa exposição no MAM é a sua primeira grande mostra paulistana?

Sim, é a primeira vez que São Paulo me convida para fazer uma grande exposição. Fiquei impressionado com tanta gentileza, pois vivi algumas coisas desagradáveis aqui. Devia ter feito um espaço na velha serraria aqui do Parque do Ibirapuera, mas o projeto foi vetado, e fui muito insultado. Foi a Prefeitura quem me convidou, nunca pedi um centavo, como também não pedi nada em troca pelas obras que estão no espaço de Curitiba (o Jardim Botânico da capital paranaense acolhe o Espaço Cultural Frans Krajcberg, com mais de 100 esculturas doadas pelo artista).

Como é que o sr. tem uma capacidade de produção tão grande?

São muitos anos e eu e minha equipe trabalhamos bastante. Nunca parei de fazer esculturas com material que eu trago da Amazônia. Tudo é resto de queimada. É lamentável o que está acontecendo, a destruição é total. A Mata Atlântica mais rica do planeta foi destruída em um século. A última floresta pequena de Mata Atlântica lá em Nova Viçosa é minha. Ano passado, botaram quatro vezes fogo para destruí-la. Se vou conseguir salvá-la não sei, nem se vou continuar a viver lá. Agora, veja o que acontece lá na Amazônia… Estão plantando soja transgênica para vender à China. É um crime! O mais triste é que só se fala nas queimadas das árvores. E os habitantes da floresta? O que acontece com eles?

Considera seu trabalho uma espécie de manifesto permanente contra essa irracionalidade do ser humano? Como conciliar militância e expressão artística?


Não gosto de falar do meu trabalho como algo artístico. Meu trabalho é minha revolta, meu grito contra a barbárie que o homem pratica. Precisamos fazer parar essa barbaridade. Do ponto de vista artístico, precisamos ver que a arte ainda não conseguiu abrir a porta para o século 21. Estamos diante dessa grande evolução tecnocientífica e de um vazio absoluto político.

Como é possível abrir essa porta, estabelecer uma nova relação entre arte e sociedade?

Pela primeira vez na história, as pessoas estão preocupadas com a saúde do planeta. Precisamos dar mais consciência ao povo brasileiro e mostrar o perigo que praticamos. Precisamos acordar como estão agora acordando na Europa. Tenho um espaço em Paris, em Montparnasse. É o espaço de meus encontros ecológicos. Em novembro estou lá. Paris acordou do ponto de vista ecológico e a Europa está acordando…

O sr. adotou a Bahia como porto seguro há várias décadas, em Nova Viçosa…

Cheguei em 71 à Bahia e, ultimamente só tive problemas. Queriam me matar com veneno, à minha empregada e a um amigo, há cinco meses. Me roubaram tudo e não consigo ver como vou sair disso. O pior é que a polícia está abafando e agora eles entraram na Justiça contra mim porque os mandei embora sem justa causa. Estão pedindo R$ 300 mil. Estou planejando ir embora, deixar tudo.

Parece coisa de novela…

Não sei mais o que fazer. Se eu tivesse 10, 15 anos menos iria embora. Três países - Canadá, Holanda e talvez EUA - querem fazer museus meus. Tenho esse espaço que a prefeitura de Paris quer ampliar. Estou confuso, só sei que não se pode viver sem defesa nenhuma. Nunca pensei em passar uma coisa dessas. O mais violento foi terem levado o colar da minha mãe. Era a lembrança que me restava. Ela era do Partido Comunista e foi morta pelos nazistas. Desde 1939, eu carregava esse colar. Por causa disso, chorei como uma criança. Não chorei porque me roubaram todo o dinheiro. E tem mais uma coisa que me roubaram: a medalha que ganhei das mãos de Stalin como herói de guerra. Roubaram um pedaço da minha vida.

E também faz parte da sua personalidade estar no embate, não?

Mesmo assim, participo mundialmente para tentar não destruir esse planeta. Continuo viajando, mostrando a minha obra. Nunca quis fazer um trabalho com arte, uma obra de arte. O que procurava com o meu trabalho era a possibilidade de afirmar minhas idéias. Eu não procurava fazer mercado. O que eu mais detesto no meu trabalho é vender.
Foi possível trabalhar nessa exposição com esse clima todo?
Tenho 20 vezes mais obras que isso. Mas fui obrigado a mandar toda a equipe embora porque pegaram todo o dinheiro que eu tinha e que era para acabar de construir meu museu, na Bahia. Agora parou tudo. Estou seriamente pensando em abandonar o sul da Bahia, porque continua terra de ninguém.
O sr. mencionou que a arte não entra no século 21 e uma das causas seria o vazio político. Por que isso acontece? Chegou a se engajar no Partido Comunista depois da guerra?
Meu único desejo depois da guerra era fugir do homem. Cheguei ao Brasil por acaso. Eu morava na casa do Marc Chagall e certo dia um amigo dele, que tinha uma agência de viagens, me perguntou se eu queria conhecer o Brasil. Eu estava querendo fugir da Europa e aceitei.

E como conheceu essas figuras que articulavam o movimento de arte moderna?

Estudei na Alemanha com Willy Baumeister, que foi professor da Bauhaus e ganhou um prêmio da Bienal de São Paulo. Cheguei a São Paulo em 1947. Trabalhei no MAM e montei a primeira Bienal com Aldemir Martins e muitos outros. Depois trabalhei na Osirarte, pintava azulejos com Volpi, Mario Zanini, Cordeiro. Tive grande apoio dos artistas, hoje não existe mais isso.

Era uma pintura ainda figurativa? Paisagística?

Não. Eu não punha homens na minha pintura (risos). Depois fui para o Paraná. Mas não suportei ver tanto fogo. Até minha casa foi queimada, com muita obra…

O fogo o persegue, não?

O fogo me acompanha sempre. Fugi para o Rio e lá o pai do Sergio Camargo me emprestou uma casa. Convidei Franz Weissmann para vir trabalhar com esculturas lá. Ganhei o prêmio de pintura da Bienal de SP de 57 e Weissmann ganhou o de melhor escultor. Gastei todo o dinheiro numa festa no Rio e comprei passagem para ir para a França. Tive sorte. A galeria Siècle XX me contratou e fiz várias exposições, mas não podia mais pintar porque fiquei intoxicado com as tintas. Eu ainda não fazia esculturas. Vivia em Paris, fazia impressões em Ibiza e procurava pigmentos naturais em Minas Gerais. Foi em Minas que comecei a fazer esculturas.

É uma estratégia quase de guerrilha essa criação de instituições pelo mundo todo?

Esse é meu grito, que posso dar com meu trabalho. Só meu trabalho pode exprimir minha revolta contra essa barbaridade que o homem pratica contra o homem. Nunca houve um século tão bárbaro como o 20. E se continuar assim, o 21 vai chegar à barbárie mais violenta.

PODER DA ARTE FRANS KRAJCBERG - O OLHAR DO ESCULTOR POLONÊS QUE SE REINVENTOU NO BRASIL AO DESCOBRIR QUE A ARTE PODE LUTAR PELA VIDA

Por Márcia Bindo
Revista Vida Simples - 01/2007
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_231786.shtml?func=2

Um vestígio de mata Atlântica, em Nova Viçosa, extremo sul da Bahia. O jardim do escultor Frans Krajcberg, onde toda manhã, logo cedo, ele sai para caminhar, há mais de 35 anos. Ali Krajcberg se deixa perder para então se encontrar. E, com olhos frescos de quem vê pela primeira vez, percebe novas cores, formas e texturas de vida ao redor. Num instante, depara com uma planta velha e carcomida. Observa seus desenhos irregulares, sua fragilidade. E encontra beleza. Dá alguns passos e topa com um tronco seco e enrugado. Toca sua superfície áspera, rude. Mais beleza. Pega uma folha caída no chão, um tanto murcha e amarrotada, e a coloca contra a luz. Seus sulcos brilham como rios espelhados.

Foi num despertar de dia luminoso e abafado que me encontrei com o artista em suas andanças. Acompanhado sempre de sua máquina fotográfica ele - clic, clic - não deixa escapar seus objetos de êxtase. Tem mais de 20 máquinas e cerca de 200 mil fotos de miudezas da mata. "Um dia jamais é igual ao outro, a Terra está girando e cada momento é raro, único", diz Krajcberg durante os deslumbramentos em seu sítio. O artista polonês radicado no Brasil inspira a natureza para depois expirá-la em suas obras, fazendo delas um protesto contra a devastação do planeta.

Natureza inquieta
Ele tem fôlego de sobra. Está de pé às 5 da manhã e logo após a caminhada começa suas obras. Seguimos até um galpão abarrotado de matéria-prima: cipós, raízes, cascas, galhos e troncos de árvores empilhados - todos estão machucados. Foram recolhidos de queimadas e desmatamentos de florestas pelo Brasil afora. Com mais 12 ajudantes, ele seleciona os restos de madeira que serão lixados e preparados para formar enormes árvores ressuscitadas, suas esculturas.

O velho Duka, seu ajudante há 25 anos, conta que não existem regras nem linhas retas no trabalho de Krajcberg. Ele prefere formas irregulares, orgânicas. O resultado são peças com movimento, como se clamassem por atenção. "Minha vida é mostrar minha indignação contra a violência e o barbarismo que o homem pratica", diz o artista. As esculturas levam as cores dos vestígios das queimadas: vermelho e preto, fogo e morte. Não recebem nomes. Ele as chama de "meus gritos".

Apesar de ter se recuperado recentemente de uma pneumonia, Krajcberg parece ter mais urgência do que nunca para mostrar sua revolta. Com passos fortes, gestos ágeis e extrema lucidez - aparentaria ser bem mais novo que seus 85 anos, não fosse a pele judiada pelo sol. Dedé, filha de Duka e sua cozinheira, o chama para o almoço, momento em que ele desacelera o trabalho. "Ele não janta, toma apenas um chá com pãozinho e se recolhe com o sol, antes das 18 horas", ela diz. Uma pausa para respirar.

O artista nasceu na Polônia, em 1921. Conta que viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial quando lutou no exército contra a Alemanha nazista. Depois também, ao descobrir que sua família havia sido dizimada com outros milhões de judeus, nos campos de concentração. Estudou engenharia na Polônia e artes na Alemanha e mudou-se para Paris. Lá, seu amigo e também artista Marc Chagall o incentivou a viajar para o Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro com 27 anos. Não conhecia ninguém, não sabia falar a língua e, para piorar, estava sem dinheiro. Dormiu ao relento durante uma semana, na praia do Flamengo. E partiu para São Paulo, onde trabalhou como operário no Museu de Arte Moderna, na primeira Bienal de São Paulo e como auxiliar do pintor Alfredo Volpi. Foi até o interior do Paraná para trabalhar como engenheiro-desenhista nas indústrias de um fabricante de papéis (que ironicamente utiliza madeira em sua produção). Abandonou o emprego para se isolar nas matas paraenses e se dedicar à pintura.

O artista, então, nasceu pela segunda vez. "Cresci neste mundo chamado natureza, mas foi no Brasil que ela me provocou um grande impacto. Eu a compreendi e tomei consciência de que sou parte dela", diz. Ali, no interior do Paraná, o artista encontra inúmeros desmatamentos e queimadas na floresta. As árvores retorcidas lembravam os corpos calcinados que tinha visto na guerra. "Desde então, o que faço é denunciar a violência contra a vida. Esta casca de árvore queimada sou eu", aponta para uma madeira chamuscada. Arte e natureza nunca mais iriam se desgarrar de Krajcberg.


Mundo próprio

Seguimos para sua casa. Dos galpões de trabalho atravessamos uma construção triangular onde fica seu escritório e seguimos um caminho que cruza a mata. Passamos por galinhas e cachorros - únicos companheiros de período integral, já que os ajudantes deixam a casa no meio da tarde - e desembocamos num sonho de criança: uma casa na árvore - mas de gente grande - suspensa a 12 metros do chão, construída sobre um tronco de pequi de quase 3 metros de diâmetro. Uma escada em caracol leva até a varanda. O sala-quarto-banheiro de madeira e vidro quase não tem mobília, apenas algumas cadeiras esculpidas pelo ermitão. Há algo estranho pendurado em uma viga da sala. Uma pele de cobra. O artista divide o teto com mais duas cascavéis, que se escondem no forro e vez ou outra aparecem. Você não tem medo?, eu pergunto. "Elas só atacam para se defender. Eu tenho medo mesmo é do bicho homem, o mais perigoso do planeta", diz o artista, que há muitos anos se afastou da vida urbana, escolhendo florestas e praias recônditas para morar. Mas não se sente só. "Nunca estou sozinho com toda essa vida à minha volta, que não me pergunta de onde sou ou o que faço. Isolado eu me vejo melhor", diz. Ele até já viveu numa caverna, no sopé do Itabirito, região mineradora de Minas Gerais. Lá descobriu os pigmentos naturais que utiliza desde 1964 para colorir suas pinturas. Retirava suas cores da montanha, raspando as paredes de dentro e de fora, transformando pedra em pó, pó em tinta. Como nossos antepassados.

O pequeno quarto é decorado com pedrinhas, conchinhas e coisinhas que ele encontra. A parede tem textura delicada: está coberta com folhas secas. Lá de cima, uma vista de tirar o fôlego: vislumbra-se uma parte de sua reserva natural de 1,2 quilômetro quadrado, onde já plantou mais de 10 mil mudas plantas nativas da mata Atlântica - e um resquício do mar. Vamos até lá?

A praia deserta fica a um instante da casa. Chegando, uma surpresa: o mar banhou-a com lixo vindo de outros lugares. Sacos, garrafas de plástico e cacarecos. Tomado por indignação, Krajcberg recita, com forte sotaque, seu credo: "Tudo é feito para ganhos imediatos. Ninguém percebe que a natureza reage. É preciso gastar tempo e dinheiro para educar e conscientizar as pessoas sobre a preservação da Terra". E conclui com o que ninguém quer ouvir: "Senão, o que vai sobrar para as próximas gerações?" Em meio ao mar de sujeira, o artista fala sobre os perigos do aquecimento global, do crescimento da população mundial, da poluição do mar (que a cada ano sobe mais um pouquinho por ali), da destruição da mata Atlântica naquele teco de Bahia, que em apenas 50 anos deu lugar para as plantações de eucalipto. O artista, que já denunciou a exploração de minérios em Minas Gerais, as queimadas no Paraná, o desmatamento da Amazônia, fica aflito com tanta passividade. "Onde estão os artistas e intelectuais para protestar contra as barbáries do século 20?" Não, ele não acredita na arte pela arte, mas na arte engajada, na arte pela vida.

Elogio à vida

Chegar a Nova Viçosa hoje em dia já é complicado. De Salvador, pega-se um avião para Porto Seguro e de lá uma série de ônibus pinga-pinga. Ou então de Vitória, com a mesma previsão para o itinerário - muita calma e paciência. Imagine então quando o artista aportou em Nova Viçosa, em 1972 - a cidade (hoje com 35 mil habitantes) tinha apenas duas ruas. Foi a convite do amigo e arquiteto Zanini Caldas, conhecido por seus trabalhos com madeira rústica, que tinha um projeto ousado: queria desenvolver na cidade uma espécie de comunidade intelectual. A idéia era construir uma escola livre de arte e ar quitetura aproveitando a natureza da região, com ambientes para meditação, atividades culturais e um pomar de frutas nativas. Foram vendidos lotes de 500 metros de frente para o mar para personalidades como Chico Buarque, Oscar Niemeyer e Dorival Caymmi. O projeto naufragou e os lotes foram retalhados pela administração municipal da cidade.

Apenas Krajcberg fincou sua raiz, arrebatado pela beleza do lugar. "Quando vi o mangue pela primeira vez, fiquei impressionado com tanto movimento. São tantas riquezas na natureza que nenhum artista vai conseguir criar", conta. O imenso manguezal fica nas margens do rio Peruípe, que banha Nova Viçosa. Toca seu celular. É seu barqueiro Oraldo Nascimento Costa, o "Baixinho" - ele vive apelidando as pessoas e sempre dança com o toque alegre do telefone. Krajcberg pede para Baixinho e Bicho-de-pé levar as "Prrrrreguiças" (no caso, eu e o fotógrafo João) até lá para conhecer mais uma fonte de inspiração. Esparramados pela margem do rio há dezenas de barquinhos de madeira coloridos - entre eles, o barco Natura, mesmo nome do sítio de Krajcberg, todo pintado de verde, com seu velho motor pó-pó-pó, que nos leva aos locais onde o escultor colhia restos de madeira no mangue. E para suas praias particulares de areias onduladas. Foi da observação dessas formações na areia após a maré baixar que o artista teve a idéia de imprimi-las em gesso. Com o molde, faz a impressão em papel japonês e pinta sobre o relevo com ondulações. A areia, em constante mutação, se eterniza.

De volta ao sítio, da estrada, dá para avistar duas grandes construções. Uma grande oca, suspensa pelas árvores-esculturas, guarda as pinturas de Krajcberg. Ao lado, em outra construção, está a coleção de esculturas gigantes, de mais de 4 metros de altura. Com mais cinco pavilhões que ainda faltam construir, ficará pronto o Museu Frans Krajcberg. Somente em 2006 o governo da Bahia aprovou a construção do museu em seu sítio. O artista ainda tem um ateliê em Paris, onde funciona um pequeno museu em sua homenagem. Lá fora ele é consagrado como um dos melhores escultores do século 20, mas é pouco conhecido no Brasil. Apenas em Curitiba há um espaço com suas obras no Jardim Botânico, "totalmente abandonado", como ele mesmo diz. Agora ele prepara algumas obras que irão, se o projeto vingar, para um espaço em sua homenagem na antiga serraria no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e para o Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, onde será criado o Centro de Arte e Meio Ambiente, um espaço de exposição e debates sobre preservação. E assim seguirá sua voz, que parte da destruição e da morte, para fazer a defesa e o elogio da vida.

Para saber mais:
Livros
Natureza de Krajcberg, Frans Krajcberg, GB Artes
Frans Krajcberg, Roseli Ventrella, Moderna
Frans Krajcberg - A Tragicidade da Natureza pelo Olhar da Arte, Maria José Justino, Travessa dos Editores
Frans Krajcberg: a Obra que não Queremos Ver, Renata Sant'Anna e Valquíria Prates, Paulinas